Pesquisa revela dados inéditos sobre diversidade sexual na UFRN

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Pesquisa realizada na UFRN ao longo de 2014 levantou informações importantes sobre sexualidade no âmbito da instituição com 1145 entrevistados. Os dados, obtidos em primeira mão pelo jornalista Allyson Moreira, revelam que o Campus Central tem sido um ambiente seguro para os homossexuais, mas onde o discurso homofóbico  ainda é bastante presente.

Os pesquisadores do Núcleo Tirésias e Centro de Referência em Direitos Humanos da UFRN ouviram 1.147 alunos, 597 professores e 322 técnico-administrativos de todos os cursos e departamentos do Campus Central da universidade, de acordo com amostra estabelecida por cálculo estatístico, para saber como a comunidade acadêmica tem lidado com a diversidade sexual e de gênero. O objetivo foi levantar informações para subsidiar políticas de enfrentamento às violências de gênero e orientação sexual no âmbito da UFRN.

Para manter o sigilo dos participantes, não era exigida a identificação do nome e os questionários eram depositados diretamente numa urna lacrada. Ao todo, foram feitas 19 perguntas ou afirmações de múltipla escolha dividas em duas partes. A primeira trazia questões sobre gênero, como machismo e relações entre homem e mulher. Na segunda parte, a qual discutiremos a seguir, o foco era sobre diversidade sexual e de gênero, levantando perguntas sobre homossexualidade, homofobia, transexualidade e a orientação sexual dos participantes.

VIOLÊNCIA


Perguntados se já presenciaram alguma atitude ou discurso homofóbico no ambiente da UFRN, 54% dos entrevistados disseram que não. Dos 46% que afirmaram positivamente, 61,5% assinalaram que se tratou de uma "piada ou discurso ridicularizante contados por professores ou colegas dentro e fora da sala de aula". 24,6% disseram já ter visto alunos ou servidores nos corredores fazendo chacota à algum homossexual. Apenas 1,4% afirmou ter presenciado violência física à algum gay, lésbica, travesti ou transexual.

AMIZADE ENTRE LGBTs e HÉTEROS


A maioria dos entrevistados disseram ter amigos LGBTs (87,35%) e que a orientação sexual pouco importava na hora de estabelecer algum vínculo de amizade. Já 12,65% informaram que não, pois não tiveram a oportunidade (75,9%). Enquanto isso, 14,5% dos que disseram não ter amigos gays afirmaram que não concordam de forma alguma com a homossexualidade e, portanto, nunca faria amizade com um gay ou lésbica, e 9,6% dos entrevistados afirmaram sentir vergonha.

BEIJO GAY


Sobre já ter presenciado alguma carícia entre homossexuais em público, 89,3% revelaram que sim. Destes, 50% consideraram "normal", enquanto 41,3% "estranho". Já 7,3% afirmaram ter achado "nojento, uma falta de respeito e que isso deveria ser feito em lugar privado" e 1,4% declarou ter se sentido ofendido e pediu para que parassem.

ORIENTAÇÃO SEXUAL


Os entrevistados foram perguntados também sobre suas orientações sexuais. De acordo com a pesquisa, a maioria (93,6%) se declarou heterossexual e apenas 6,4% disseram ter relacionamentos com pessoas do mesmo gênero. O percentual de homossexuais foi maior entre os alunos (8,5%), seguido pelos técnico-administrativos (4,8%) e docentes (3,4%).

FORA DO ARMÁRIO


Boa parte do homossexuais que responderam à pesquisa disseram que seus colegas e professores sabem de sua sexualidade (68,5%), enquanto 31,5% informaram que não.

SEGURANÇA NO CAMPUS


Ainda segundo a pesquisa, embora quase metade dos homossexuais já tenham presenciado algum caso de homofobia na UFRN, a maioria expressiva (89%) declarou se sentir respeitado no Campus Central da universidade.
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