Como era ser adolescente gay em Natal há 10 anos

By | 18:00 Comente

Há 10 anos, muita coisa em Natal era completamente diferente para os gays. Não tínhamos o CasaNova, e o estacionamento do Carrefour não era tão balado quanto hoje.

Naquela época, o Midway tinha completado 1 ano de inauguração, e ainda pairava sobre nós o temor do bebê demônio que derrubaria o shopping. Quem se lembra?

Provavelmente, boa parte das bandas que você ouvia na antiga Tropical FM não faz tanto sucesso hoje ou deixou de existir. 

Seu melhor amigo era você mesmo, porque naquela época "fazer a linha" (ninguém usava esta expressão) emo-gótica-solitária-depressiva era a modinha do momento.

Bateu a saudade? Então aperte e cinto e vamos voltar dez anos no tempo!


Gay não, EMO!

Se hoje a moda é se dizer bi para fugir do holofotes, em 2006 a moda era ser emo. Muitos gays se diziam góticas/emo para amenizar o fato de gostarem de pessoas do mesmo gênero. Era uma fase preliminar pro estágio seguinte, em que se assumiriam gays.



Faça um exercício mental: liste seus amigos que em 2006 se diziam "emo" e que hoje são gays. Muitos? Pois bem...

Camisas de Evanescence, My Chemical Romance e System of a Down eram verdadeiras fardas. O preto era o tom que predominava nas roupas e maquiagens.



Se você estudasse no Floca, Marista, CIC e Instituto Brasil, provavelmente, estaria calçando um All Star preto cheio de nomes das suas bandas favoritas e amigos próximos feitos de caneta.

Ligados na FM Tropical

Em 2006, o Youtube não era tão popular como hoje e os últimos lançamentos do cenário pop/rock nacional e internacional só acompanhávamos pelas rádios ou na MTV Brasil.

Aqui em Natal, a rádio FM Tropical (atual Mix FM) era uma espécie de versão local da MTV. Muitos jovens, gays ou não, sintonizavam pela manhã no programa "Balaio de Gato", apresentado pelo Jefferson Paiva, e depois ficavam ligadinhos no "Top 10", com a Amanda Faia. À tarde, além da reapresentação do "Top 10", tinha o maravilhoso "Conexão 103", com a Andreza Menca.



Todos os dias, a FM Tropical recebia dezenas de ligações, interagia com os ouvintes e fazia a alegria geral quando reproduzia a música pedida.

Gente, não existia coisa melhor! Facilmente você perdia seu dia todo na FM Tropical.

Rádio era tão modinha que vários aparelhos eram sucesso de vendas, como esses coloridinhos a pilha e com lanterna. Quem nunca teve um que atire a primeira pedra!


 
As paradas de sucesso em 2006

O ano de 2006 foi marcado por grandes lançamentos do mercado pop que se tornaram clássicos nos dias atuais.

As bichas aproveitavam que estavam sozinhas em casa e botava o som nas alturas para dançar "Hips Don't Lie", da Shakira, que foi o maior sucesso daquele ano, ou chutar as cadeiras da cozinha com "Buttons", da The Pussycat Dolls com o Snoop Dog.



Rolou também: "Irreplaceable" (Beyoncé), "Sexy Back" (Justin Timberlake), "Promiscuous" (Nelly Furtado feat. Timbaland), "SOS" (Rihanna) e o primeiro single da carreira solo da Fergie, "London Bridge".

Já os emos curtiam "This Ain't A Scene, It's An Arms Race", do Fall Out Boys , "Welcome to the Black Parade", do My Chemical Romance, e "I Write Sins Not Tragedies", do Panic! At The Disco. Mas na calada da noite (emos jamais confessariam gostar de pop), não resistiam a "Too Little, Too Late", da JoJo.

Clique aqui e veja a playlist do Youtube só com os sucessos de 2006.

As praças reuniam toda a turma

Se hoje a maior da praça de Natal é o estacionamento do Carrefour (reveja matéria da Bicha sobre o assunto), em 2006 o que bombava mesmo era a praça da Mitsubish, por trás da loja de carro de mesmo nome. Todas as tardes muitas bichas se reuniam lá para socializar, paquerar e curtir as amizades.

Tempo depois, foi a vez da praça do colégio CEI virar point de encontro dos gays.

A discrição era o maior atrativo, afinal as bichas não eram tão empoderadas quanto hoje, que já saem na rua e põem a cara no Sol.

Da praça do CEI, inclusive, surgiram as gays natalenses mais famosas da internet.



O paraíso era em Ponta Negra

Uma pequena faixa de terra arborizada na Praia de Ponta Negra, Zona Sul de Natal, era o local mais frequentado pelas tribos de Natal.



Aos sábados, várias barracas eram montadas e os grupos de amigos se reuniam para fazer um luau, regado de vodka com Fanta laranja e biscoito Treloso.

Controle na mão e bombril: tá no ar a MTV Brasil!

A TV brasileira tinha vários programas voltados para os jovens, mas boa parte deles - e os melhores - era da MTV Brasil, que só pegava preto e branco, em Natal, e com um pouco de bombril na antena que ficava em cima do aparelho de TV. 

Nos fins de semana a apresentadora Daniella Cicarelli estava a frente do popular "Beija Sapo", programa de namoro que naquele ano já exibia beijo gay, queridinha!



Pela amanhã, a gente acompanhava o "Chapa Coco", do André Vascos, e o fenômeno "Disk MTV", ainda com as gêmeas Keyla e Kênya. Se lembra? Era o que tínhamos de melhor para se informar sobre o universo pop, das bandas emos e indie no "MTV Lab", e saber o que era tendência na moda e comportamento.



Bate-Papo UOL, Orkut e MSN

Nada de Tinder, Facebook, Grindr ou Scruff. Em 2006, os gays em Natal marcavam encontro pelo Bate-papo UOL, sucesso absoluto na época. Bastava colocar "HxH" no username, ou as preferências sexuais (ATV e PSV), que a janela do bate-papo começava a subir de notificações.


Se a conversa no Bate-papo UOL vingasse, o usuário adicionava o pretendente no Orkut e no MSN, onde a conversa podia avançar mais ou acabar apenas numa punheta virtual.

Os encontros eram marcados em Ponta Negra, nas praças ou nos shoppings, que naquela época tinha acabado de ganhar mais um nome de peso, o Midway Mall.

Boate Vogue no Alecrim

Os gays com mais de 18 anos contavam com uma boate para dançar músicas eletrônicas e beijar na boca sem a preocupação que alguém da família visse: a Vogue Natal, no Alecrim.

Leia: As boates gays de Natal que fizeram sucesso no passado



Era um dos locais próprios dos gays de maior referência na cidade, como é até os dias atuais. Enquanto os ônibus não voltavam a passar no início da manhã, rolava ótimas pegações na praça do relógio, na Rua Amaro Barreto.

RBD Mania

Naquele ano foi ao ar, no SBT, a útima temporada inédita da telenovela teen de maior sucesso de todos os tempos, "Rebelde".


Muitos gays eram fã da novela e se inspiravam nos personagens na hora de se vestir. Em 2006, o número de meninas que pintavam o cabelo de vermelho, igual o da personagem Roberta (interpretada pela Dulce Maria), foi enorme. Já os meninos, que sonhava com o Diego (Christopher Uckermann) e o Miguel (Alfonso Herrera), passaram a adotar o cabelo grande e gravatas no visual.

No Alecrim, as lojas de roupa, acessórios, papelaria e de música vendiam os mais diversos produtos com a marca "Rebelde". A novela "Malhação", da Globo, já era super malhada e ninguém falava mais dela.

Em muitos bairros de Natal, jovens formavam grupos cover de RBD com meninos e meninas caracterizados de seus personagens preferidos. A briga era grande na hora de decidir quem seria Roberta, a favorita da trupe.



Quando a música tema da abertura, "Nuestro Amor", começava a tocar na televisão, as gays corriam pra frente da tela e o coração palpitava: estava no ar o maior fenômeno do SBT da época.



No SBT fazia sucesso também "The O.C.", a série onde acopanhávamos as aventuras e os dramas da louquíssima Marissa Cooper com sua miga Summer, Seth e seu peguete badboy Ryan, ambientado em Orange County. Naquele ano gostar de série nem era modinha como hoje, por isso "The O.C." valeu pelo mérito.




-----------------------
E você, o que fazia em 2006? Comente aí, deixe sua opinião.

Aproveite também e siga a Bicha Natalense no Facebook e fique por dentro das novidades, agitos e tudo o que rola no cenário LGBT potiguar.


Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: