O parque dos horrores no Natal Shopping

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Foto: Divulgação
Profa. Dra. Berenice Bento/UFRN

Poucas vezes eu vi um espaço mais violento que o parque de diversões preparado pelo Natal Shopping para o Dia das Crianças. Explico.  Imagine que você é uma menina e que gosta de brincar em um parquinho ou de carrinho. Imagine que você é um menino e gosta de ficar com sua mãe ajudando-a a cortar as verduras. 

No dia 12 de outubro, sua família se reuni e diz: vamos comemorar o Dia das Crianças no shopping que montou uma praça de brinquedos. Ao chegar, você descobre que há brinquedos censurados para seu gênero. Se você é uma menina não poderá usufruir dos brinquedos ditos masculinos. Para que não haja qualquer tentativa de se burlar tal censura, os organizadores desta festa do terror, fizeram um muro para segregar os gêneros. Em pleno século XXI ainda temos que conviver com espaços segregacionistas! Eu já vi parque de diversão onde as marcas de gênero estão espalhados por todos dos lados, mas nunca tinha visto um muro separando-os. E como uma piada de mau gosto com nossas inteligências, lemos no lado exclusiva para as meninas, em letras gigantes, com o fundo rosa: “VOCÊ PODE SER TUDO QUE QUISER”,  ao lado desta frase, aparece um nome gigante, Barbie. Escárnio maior com nossas inteligências não poderia. Você pode ser tudo que você quiser desde que você escolha ser o que decidi ser o melhor para você.

O deboche continua. Do lado dos meninos: "DESAFIE SEUS LIMITES". E aqui a ficção de liberdade continue. Embora seja uma frase que reitera e ao reiterar produz a noção hegemônica de masculinidade (não ter medo, ser forte) ela também é um escárnio com nosso senso de observação.  A ousadia ali só é permitida dentro dos parâmetros que se permite. Eu sou menino e quero ousar tentar usar um salto alto, posso?

Este seria a primeira dimensão do caráter violento desta exposição.  Vamos ao segundo. Todos nós sabemos que o Brasil aparece em todas as estatísticas como um dos países mais violentos e perigosos para uma mulher viver. É um dos países onde mais se mata mulheres em todo o mundo. E por que isso acontece? Seria por falta de leis que criminalizam os assassinos? Seria por impunidade? Não. O Brasil é um dos países que têm uma legislação criminal potente, principalmente, depois da aprovação da lei do feminicídio.

Mesmo assim, a violência de gênero contra as mulheres não diminui. E por quê? Estranhamente, a resposta está ali naquele parquinho ingênuo do Natal Shopping. Vejam os brinquedos das meninas e dos meninos. 

1 - Das cores: Rosa, muito rosa na parte destinada às meninas. A cor da passividade, da emoção. Para os meninos, cores escuras (azul, preto, laranja), para enfatizar a atividade e agressividade.

2- Construção de espaço. Para os meninos, brinquedos que jogam os corpos para o espaço público. Os parques, os carros, os jogos preparam os corpos para a competição, para serem superiores. Para as meninas, ênfase no cuidado da beleza, da casa, do corpo. Bonecas, panelas (muitas panelas, uma cozinha completa!), a exposição das barbies com corpos de “beleza” inatingível e que tanto sofrimento causa às crianças, principalmente às crianças negras. Ao contrário dos jogos e brinquedos dos meninos, vemos aqui uma homenagem à mulher como cuidadora, mãe. E assim, dois mundos completamente diferentes nos são apresentados: o masculino e o feminino. Mas não é “apenas” diferente. É uma diferença hierarquizada onde o masculino é produzido para o poder público e o feminino para ser dominado.

3- A função dos brinquedos. Ali, diante de nós, este espaço segregacional e violento, nos apresentava sem nenhuma timidez o projeto hegemônico para os gêneros. A função daqueles. Aos homens, a rua, o poder, a ousadia. Às mulheres, a casa, o privado, a falta de ousadia. Há muito tempo os/as pedadogos/as já sabem do poder dos brinquedos em produzir subjetividade, desejo e sofrimento. Ao dar uma boneca, uma cozinha para uma menina, o que está fazendo não é antecipando ao desejo da natureza, mas produzindo gênero.  E assim, o projeto social (transfigurado de “natureza”) fica claro: produzir corpos a suposta diferença sexual para exaltar a heterossexualidade como única sexualidade possível.

Na produção hierárquica e assimétrica dos gêneros, será o feminino o lugar do matável, penetrável. E eu, como homem, para ter garantido a minha superioridade nesta estrutura, preciso deixar claro que quem tem o poder sou eu. Este parquinho do terror do Natal Shopping soma-se ao projeto social mais amplo que autoriza homens a matarem as mulheres e que tem no heteroterrorismo a base de funcionamento. Imagine se um menino pedisse ao pai ou mãe para brincar de boneca, que pedisse para pular o muro? Brincar de boneca não tem nenhuma ligação com a sexualidade do menino, mas ele não ousa dizer do seu desejo porque sabe que isso poderá desencadear a fúria dos país e poderia ser insultado de mulherzinha pelos amigos. Quem que ser mulherzinha? A produção dos gêneros e da sexualidade dita “normal/natural” é marcada pelo medo, pelo terror de ser rejeitado.

Portanto, não adiante aprovarmos leis vanguardistas enquanto o projeto social para os gêneros ainda reservar ao feminino o local do frágil. Enquanto não houver iniciativas que quebram com esta estrutura binária e violenta. Parece-me que é este o sentido da iniciativa do Escritório de Proteção de Direitos da Infância de Iquique, no norte do Chile, que criou um seminário de "desprincesamento", cujo principal objetivo é quebrar padrões de gênero, através de ferramentas que façam as meninas livres de preconceitos, empoderadas e com a convicção de que podem mudar o mundo, e que não há um único destino para suas vidas, tampouco que a felicidade está em ter um homem protetor (o mesmo que pode vir a matá-la) ao seu lado. Entre as atividades que são desenvolvidas na Casa de Cultura da cidade, há debates, aulas de defesa pessoal, cantorias e atividades manuais. O objetivo principal é fazer com que as meninas reflitam sobre o conceito de ser mulher, beleza e felicidade, sem que haja um “príncipe”.  Esta é uma importante iniciativa para contribuir na mudança das relações violentas de gênero.

Não precisamos de escola de princesa. Basta de brinquedos que funcionam como tecnologias que produzem corpos violentos e corpos passivos.

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Berenice Bento é doutora em Sociologia pela UNB e professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 
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31 comentários:

  1. mimimi mimimimimimi mimimi mimimimimimi mimimimimi mimimimim mimimimi mimimimim mimimi

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  2. A empresa responsável restringiu a entrada de meninos na parte da Barbie e/ou meninas na parte do Hotwheels?

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    1. Não... não proibiu... minha filha foi nos dois e foi super bem tratada em ambos... ahhhh povo chato!!!

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    2. Acho que a questão não é essa... O ponto é a inexistência de integração entre os dois parquinhos que permitisse a livre escolha das crianças em brincar onde achassem melhor... Eu posso ser um menino e gostar tanto da Barbie como de Hot Wheels, mas nesse caso a criança é imposta a decidir em qual brincar... É, de fato, um mecanismo cruel de segregação.

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    3. A questão é essa, sim! No momento em que a criança tem a liberdade de escolha do espaço em que quer brincar, todo esse texto problematizador acima vai pro ralo e vira papo furado. A empresa não está obrigando meninos irem para o espaço Hotwheels nem meninas irem para o espaço Barbie e muito menos obrigando que ninguém entre lá.
      Seguindo a lógica do texto, se uma menina for brincar no espaço Hotwheels ela vai ficar agressiva, e se um menino for para o espaço da Barbie vai ficar passivo, emotivo e vai querer cozinhar. Ou seja, pela lógica da professora esse é um parque feito para "destruir padrões" basta, aparentemente, colocar filho no espaço Barbie e sua filha no espaço Hotwheels. Sobre a inexistência de integração entre os dois espaços, dá para ver claramente na imagem do parquinho as duas entradas lado a lado, e pelo que escreveram aqui (e eu acredito que seja o que realmente tenha acontecido) a criança podia brincar nos dois espaços, era só sair de um e ir para o outro, não sei onde está o problema disso, afinal são dois cenários diferentes.
      Então, para finalizar, aconselho que a professora refaça esse texto, e, seguindo a mesma lógica, recomende esse parquinho, pois, como expliquei, serve bem para "quebrar padrões".

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  3. caaara, esse brinquedo é horrível!!!

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  4. uma merda que algo assim ainda aconteça

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  5. Venho aq comentar e falar que, em NENHUM momento minha filha foi proibida e nem olhada de outra forma qdo ela escolheu o parque hot weels, ela foi para dois e amou os dois... As cores dos espaços remetem a marca...vi muuuuuuuitas meninas além da minha do espaço hot weels, incluse minha sobrinha... #OhhhhMUNDOCHATODOCARAI

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  6. Nunca li tantas merdas como li nesse texto. As crianças podiam escolher qualquer área para brincar.

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    1. seria mais lógico tudo junto misturado....

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  7. Tá faltando pauta? Sinceramente, quanta besteira.

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  8. Eu estive no parque e observei comentários desnecessários pq um menino quis brincar no parque da Barbie. Achei bem chato.

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  9. "Todos nós sabemos que o Brasil aparece em todas as estatísticas como um dos países mais violentos e perigosos para uma mulher viver. É um dos países onde mais se mata mulheres em todo o mundo. E por que isso acontece? Seria por falta de leis que criminalizam os assassinos? Seria por impunidade? "

    NÃO É SÓ PARA AS MULHERES, MAS SIM PARA TODOS OS GÊNEROS, TODOS!!! Mas fazem questão de focar apenas para um lado.

    Mimimimimimimimimimimimimimimimimi. Desnecessário. Texto esse que nem fiz questão de ler por completo por que deu náuseas dessa forçada de barra, nesse vitimismo.

    A separação não ocorreu por causa do Gênero, mas sim por causa das marcas, não atoa, meninos podem ir para o lado rosa e meninas para os azuis, simples, mas vocês fazem questão, QUESTÃO de criar caso. Seja gay, de boa, mas não seja chato

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  10. Sociólogos fazendo o que melhor sabem fazer - falar merda!
    Não havia restrição alguma. As crianças brincavam onde queriam. Sugiro parar de caçar pelo em ovo para problematizar e tratar de problemas reais! Tem gay a rodo morrendo nas mãos dos muçulmanos e vocês reclamando da cor do parque do shopping.

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  11. Tem gente falando que é mínimo, mas não acho bem assim.
    Tudo bem que as criancas pudessem escolher onde entrar até aí não existiria nada de anormal.
    Mais vai um menino querer entrar na parte rosa...

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  12. Evento super bacana, não há o que polemizar, havia livre escolha das crianças. Mimimi desnecessario e sem fundamento, doutora precisa focar em escrever artigos bem elaborados e publicar em revistas relevantes, ao invés de baboseiras na internet

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  13. Meu Deus como o povo tá ficando chato... querendo colocar gêneros em tudo.. tanta criança que não tem nem acesso a um shopping, que dirá a um brinquedo rosa ou azul... vá procurar uma ONG e ajudar as crianças a sobreviver nesse mundo egoísta onde ser menino ou menina importa mais do que ser criança e ter uma família e o mínimo para sobreviver. O boy que tá lá na periferia catando lixo pra comer ñ tá nem aí pras crianças que estão sofrendo os horrores do parque do Natal shopping.

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  14. Perdeu a oportunidade de ficar na dela, esses socialistas e outros istas da vida não tem o que fazer e fica procurando cabelo em ovo, vão ajudar aos pobres, vão ser missionários arrumem o que fazer. Querer forçar que aceitemos a opinião sobre homossexualidade e direito de escolha de vocês é o que é errado. Se é pra falar de opção, homossexuais existem desde que o mundo é mundo. Ná minha opinião é errado é, porém, aceito e convivo, mas o que enche o saco e pessoas como você querer colocar na cabeça das pessoas que todos são homofóbicos. Pra mim ta certo, azul menino rosa menina em seus enxovais, brinquedo e menina e brinquedo de menino. Achou ruim Dra.? Morra.

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  15. Quanto Mimimi! Sério mesmo. O preconceito tá na cabeça de quem vê e começa por essa publicação. Não vejo segregação, vejo sim uma vontade imensa de mostrar que o mundo quer excluir os homossexuais e querer obrigar as pessoas de que não existe gênero. Cada um faz sua escolha e pronto... que coisa!

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  16. Fui com minha filha no HotWheels. Não vi problema nenhum!

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  17. Não tenho netos ainda, mas tenho a impressão que a análise desta professora é bastante equivocada. A luta pelo empoderamento feminino é diferente. Não é por aí.

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  18. Quanta merda em uma pagina!

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  19. Grande mimimi o muro existe simplismente por um interesse economico.(PONTO) #FATO cobrar mais. Afg

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  20. Absurdo !! Quanta maldade , crianças nem consegue pensar em tanta besteira, falta do que fazer e pensar, tanto barulho pra nada, uma professora como você falar sobre tais coisas assim, partindo para o lado do preconceito e tachando fatos moralistas e ainda vem bancar de barrar preconceitos ?!! , pois la não teve restrições de brinquedos e as crianças podiam brincar onde quisessem ! e por isso que Natal e uma cidade que não consegue ter nada, nenhum evento bacana e decente para as crianças , porque quando tem , ha pessoas assim que acabam com tudo e qualquer diversão que as crianças possam ter.

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  21. Ela fumou e começou a falar bosta, não deem bola.

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  22. eeeeeeh povinho bonito, o texto conseguiu isso, que todos comentem, se alterem e o dono do blog tenha mais dinheiro e mais visitas ;)

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    1. De tudo isso aí que vocês listou só faltou o dinheiro! kkkkk

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  23. Que babaquice meu Deus!!!! Kkkkkkkkk!

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