Cidades americanas registram nova onda de protestos contra Donald Trump

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Foto Eugene Garcia/Agência Lusa
Manifestantes voltaram a fazer protestos ontem (10) em várias cidades norte-americanas contra as políticas de Donald Trump, o empresário eleito presidente dos Estados Unidos na terça-feira (8). Em Portland, maior cidade do estado de Oregon, a polícia chegou a classificar o protesto de motim, em razão do comportamento "criminoso e perigoso" de parte dos manifestantes. Segundo a polícia, há relatos de vandalismo em vários pontos da cidade. Em outras cidades, como Chicago e Nova York, as novas manifestações ocorreram em clima de paz.

Foi a segunda noite seguida de protestos. Na quarta-feira (9) ocorreram as primeiras manifestações nas cidades de Nova York, Chicago, Los Angeles e Washington (capital norte-americana). Os manifestantes se reuniram em vários pontos das cidades e marcharam para as áreas centrais entoando refrão como "Trump não é meu presidente". Em Nova York, Chicago e Washington, os manifestantes se reuniram em frente a hotéis e prédios comerciais pertencentes a Donald Trump, que fez carreira empresarial no ramo imobiliário.

Os protestos ocorreram apesar da tentativa do atual presidente, Barack Obama, e do futuro presidente, Donald Trump, de criar um clima de harmonia política no processo de transição de poder. Obama, que foi eleito pelo Partido Democrata, recebeu ontem Donald Trump na Casa Branca e disse que desejava sucesso ao novo governo. Segundo ele, se os republicanos tiverem êxito no governo, quem vai ganhar é o país. Donald Trump também elogiou Barack Obama. O clima de tranquilidade entre o atual e o futuro governo contrasta com as acusações mútuas que os dois protagonizaram durante a campanha eleitoral.

Trump deve frear avanços na luta contra mudanças climáticas, dizem especialistas

O novo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, deve frear a luta contra as mudanças climáticas. A postura não deve afetar tanto a indústria ou a tecnologia, mas a cooperação política e internacional perderia um grande impulsionador com um potencial efeito dominó sobre as economias emergentes. É com essa preocupação que cientistas e ativistas veem a eleição do magnata. A informação é da Agência Ansa.


"Difícil prever o que ele fará de verdade. Mas, uma coisa é certa: não é de se esperar uma ação convicta como aquela de Barack Obama", afirma à Ansa Carlo Carraro, vice-presidente do grupo de trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Caso a perda de liderança dos EUA se confirme, isso causará um efeito nos países em desenvolvimento.

Para um dos membros do IPCC, Thomas Stocker, "seria crítica" uma postura de menos empenho norte-americano sobre o tema. Ele lembra que o plano para o desenvolvimento da infraestrutura, apresentado durante a campanha eleitoral, vai andar na "direção errada", privilegiando fontes fósseis de energia ou "reduzindo as metas ambientais nas atividades de fracking (método que possibilita a extração de combustíveis líquidos) e perfuração no Ártico".

Nas posições de Trump e de seus apoiadores, cita o climatologista Sandro Fuzzi, do Instituto de Ciências da Atmosfera e do Clima (CNR) da Itália, "há uma subestimação do problema ambiental". Por diversas vezes na campanha, o nova-iorquino disse que as "mudanças climáticas" eram um problema "inventado" pelos chineses para frear a economia dos Estados Unidos.

Porém, os EUA não poderão sair facilmente do acordo sobre o clima assinado pelo presidente Obama durante a Conferência do Clima de Paris, a COP21, como lembrou a presidente do evento e ministra do Meio Ambiente da França, Ségolène Royal.

O líder da organização não governamental (ONG) italiana Kyoto Club lembra que o documento assinado em Paris "não prevê sanções" para os países que não cumprirem as metas. Com isso, Trump pode não respeitar "esse empenho" mundial e, simplesmente, não atingi-lo.

Entre os principais pontos do Acordo de Paris está o compromisso de manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e fazer esforços para limitar esse crescimento a 1,5ºC. Além disso, os signatários assumiram o compromisso de evitar o lançamento de gases que causem o efeito estufa, e os países mais ricos devem ajudar a financiar o combate às mudanças nas nações em desenvolvimento.

O diretor do Instituto de Pesquisa do Impacto Climático Postdam, Hans Joachim Schellnhuber, é mais pessimista. "O mundo agora deve andar sem os Estados Unidos na estrada para a diminuição dos riscos climáticos e da inovação nas energias limpas", concluiu.

As informações são da Agência Brasil
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