Editorial: comunicação não se sustenta com favores

By | 10:47 Comente
Foto: Bicha Natalense
Trabalhar na área da comunicação em tempos de mídias digitais não é uma tarefa fácil como se imagina. Além dos baixos salários, em um mercado cada vez mais escasso de vagas formais, os incentivos para se manter um site, página no Facebook ou canal no Youtube no ar são praticamente nulos.

O mercado já entendeu que os veículos tradicionais não possuem o mesmo alcance de antes, cuja audiência pulveriza-se nas diversas mídias disponíveis; mas  a migração de investimentos em publicidade, entretanto, não tem acompanhado essa tendência.

Perfis populares em redes sociais na internet e sites acumulam uma grande audiência especializada, mas enfrentam o desafio de sustentar enquanto projeto viável. Afinal, tudo requer investimento, e investimento é dinheiro. Muitos não resistem por falta de incentivo de um mercado viciado - e aqui falamos no contexto do Rio Grande do Norte - do velho "favorzinho".

"Ei, divulga aí nosso evento", insistem.

E aí oferecem ingressos, vale-compras  e brindes em troca da divulgação, alegando baixo orçamento e com a promessa de investimento em um futuro que nunca chega.

A Bicha Natalense acumula milhões de visualizações no site e um alcance semelhante na sua página no Facebook, atingindo um nicho de consumo importante e com grande sempresas interessadas no segmento aqui na capital potiguar.

Muitos chegam a nos procurar, mas desistem quando percebem que do outro lado da tela, pasmem!, há quem precise pagar contas e ser reconhecido pelo trabalho.

E por que falar sobre isso é importante?

Investir em mídias alternativas, além de incentivar o trabalho criativo, contribui para a democratização da comunicação, viabilizando novas olhares sobre a sociedade em que vivemos.

Do jornalista que recebe um constrangedor salário na rede de televisão ao comunicador que mantém uma página de sucesso em uma rede social na internet, falta por parte do estado, mercado e demais instituições o reconhecimento da comunicação como um dos direitos humanos fundamentais e importante instrumento de mudança social.

Invista, acredite.

Afinal, comunicação não se sustenta com favores.
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: