Vitor Casado fala pela primeira vez após vídeo polêmico: 'poderia ter me expressado melhor'

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Foto: Reprodução/ VituTV
O mais recente vídeo do youtuber natalense Vitor Casado, publicado no último sábado (28), gerou muita polêmica na web ao tocar em um assunto pra lá de delicado: o preconceito.


Envolvendo temas como racismo, machismo e homofobia, o youtuber até que tentou traçar um discurso apaziguador ao defender o respeito às diferenças, mas acabou escorregando em vários momentos e expondo despreparo na abordagem.

Em entrevista exclusiva ao site Bicha Natalense, Vitor quebra o silêncio e fala pela primeira vez sobre o ocorrido. 

Bicha Natalense - O vídeo causou muita polêmica, principalmente por tocar em assuntos delicados como o racismo e o machismo. Você imaginava que geraria toda essa repercussão?

Vitor Casado - Eu queria postar um vídeo falando sobre isso há muito tempo, mas eu sempre tive medo de ser hostilizado na internet. Eu só precisava desabafar tudo isso que vinha me perturbando, pois vejo ódio vindo dos dois lados. Eu compreendo o ódio da resposta e o direito que as pessoas têm em senti-lo por terem sofrido, sei que uma hora cansa, e esquecemos de empatia e didática com o próximo, mas se fosse fácil, não seria uma luta, uma militância. Então, sim, eu meio que sabia o que estaria por vir por ser uma opinião muito divergente, mas assumi também que a situação se agravou por eu ter usado algumas palavras e frase facilmente mal interpretadas e equivocadas.

BN - Então você se arrepende de ter postado o vídeo?

VC - Não me arrependo de ter postado o vídeo, me arrependo das palavras mal colocadas e situações que poderiam ter sido melhor aproveitadas se eu tivesse parado para bolar o que e como eu iria falar e não somente jogar o que tava vindo na minha cabeça na hora em que liguei a câmera. Até porque parando para observar o vídeo, eu percebo que faltou explicação e pareceu até que falei em racismo inverso, quando sei que ele não existe. Ao falar que o racismo atinge o branco, eu quis dizer que, pelo racismo existir, ele nos atinge com a resposta de quem sofreu racismo, pois (numa proporção muito menor, claro) há um certo preconceito surgindo por alguns negros que não suportam mais brancos e não querem mais brancos envolvidos com a causa e utilizando de dreads, por exemplo. O que eu quis falar no vídeo foi sobre a resposta do oprimido às vezes parecer preconceituosa por falta de calma e didática após tanto sofrimento. Se fosse pra falar em racismo inverso, o nome do vídeo seria "racismo inverso" e não "preconceito".

BN - A forma como você se expressou  acabou gerando reações imediatas nas redes sociais, algumas, inclusive, com críticas muito duras à você. Você acha que houve exagero do outro lado?

VC - Eu não diria exagero, mesmo não concordando com muita coisa dita. Eu me disse aberto a debates e assim estive com quem veio até à mim e debateu ou não me hostilizou nos comentários do vídeo. Aqueles que vieram pacificamente conversar, tiveram minha atenção e razão. Mas no momento em que eu vi hostilidade, perdeu-se a razão e a minha atenção. As pessoas foram muito agressivas e é dessa agressividade que falo no vídeo, quando falo numa situação em que um não ouve o outro porque os dois estão gritando. Ninguém aprende na base da agressividade, inclusive eu.

BN - Como você tem lidado com as críticas? Tem recibo muito apoio dos amigos e familiares?

VC - Meus amigos e minha família estão comigo e estão me apoiando, graças à Deus. Claro, foi triste pois alguns amigos se afastaram, mas os de verdade estão aqui comigo. Quanto às críticas, eu estou lidando relativamente bem. Dizer que ser hostilizado na internet não me afeta, seria uma grande mentira, mas eu não estou me deixando abalar por isso. Como eu disse, as críticas construtivas e não agressivas, eu abracei. Já as outras eu ignorei. Preocupo-me muito mais com a minha mãe vendo isso e se sentindo mal por ver o filho sendo hostilizado do que por mim.

BN - O que você gostaria de dizer agora para as pessoas que têm acompanhado tudo isso?

VC - Algo simples, que era exatamente o que eu queria falar no vídeo e terminei por me perder. É compreensível que as pessoas estão cansadas e irritadas pelo que sofreram e que por isso sentem que não precisam ser didáticas porque é como se fosse dar uma colher de chá ao opressor, porém eu entendo e respeito, pois também estou cansado pela homofobia que eu sofro. Só que não se chama militância à toa, não se chama luta à toa e lutas cansam e você não pode desistir, até porque se você desistir de militar e ser didático não vai fazer diferença para quem já se encontra em posição de privilégio. Evitar locais, proibir que pessoas usem o cabelo como elas se sentem bem, proibir que alguém contribua com uma causa mesmo não sendo parte dela, não ajuda em absolutamente nada. Nós temos muitos problemas maiores a se resolver do que isso que no fundo só segrega mais o que já é segregado. Inclusive porque se você como gay frequentar lugares "heteros" nada mais é que um afronte dos bons pra mostrar que você também é gente, também pode curtir aquele ambiente e aquela música que está tocando e sem medo. Até porque numa luta como essa, nós precisamos sim dar a cara a tapa muitas vezes. Assim como aquele casal do Midway. Eles deram a cara a tapa, infelizmente terminaram por levar o tapa, mas olha só o que aconteceu com eles? Ganham algo muito bom do shopping concorrente que aceita tais diferenças. O preconceito gerado da resposta é sim muito menor, mas não é porque é menor, que está certo existir, por mais compreensível que seja.

A entrevista foi concedida através do Facebook e toda a resposta do Vitor publicado na íntegra. 
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