Shakira escreve artigo para Time em defesa dos imigrantes muçulmanos nos EUA

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Foto: Divulgação
A cantora colombiana Shakira é uma das mais engajadas celebridades no continente latino-americano em defesa dos direitos humanos, principalmente das crianças e adolescentes. Além do trabalho que desenvolve na fundação Pies Descalzos, fundada por ela em 1997, a cantora participa de eventos internacionais como porta-voz da América Latina e sempre está envolvida com projetos sociais em países pobres, como o Haiti.

Em artigo publicado na revista Time, Shakira dessa vez foi à público criticar a política do presidente dos Estados Unidos Donald Trump contra os imigrantes muçulmanos.

Confira o artigo na íntegra e traduzido:

A América deve proteger todo o nosso povo, por Shakira

A recente proibição de que muçulmanos entrem nos Estados Unidos proposta por Donald Trump e atualmente sendo revisada nos tribunais gerou gritos de resistência tanto dentro dos Estados Unidos quanto fora. Gostaria de tomar um minuto, com sua permissão, para somar minha voz à multidão. Porque isso não é apenas um problema americano. Isso é um problema humano que implica todos nós; cidadãos americanos e não americanos, como eu.

Perseguição contra qualquer grupo por causa de sua crença religiosa ou raça é ilegal e inconstitucional nos Estados Unidos. Ponto final.

Esse não é apenas um ataque a muçulmanos ou refugiados – esse é um ataque a todos os humanos e, em particular, àqueles que mais precisam de proteção. Nesse momento, no mundo todo, 28 milhões de crianças foram arrancadas de seus lares por causa de conflitos, tendo partido de suas casas por causa da violência e do terror. Crianças que não conhecem nações ou fronteiras; aquelas que sobreviverem irão crescer e seguir a liderança daqueles que as aceitarem. Mostraremos amor e aceitação a eles? Ou permitiremos que elas lutem por si mesmas, vulneráveis a grupos de guerrilha que apenas as ensinarão como perpetuar esse ciclo de violência?

Temos que ser vigilantes no que se refere a deixar a intolerância e o ódio tomarem lugar no senso-comum ou serem justificados sob a desculpa de “proteger o nosso povo”. Se aceitarmos que muçulmanos se tornem alvos, podemos ter certeza de que outros grupos minoritários seguirão pelo mesmo caminho, seja ao fechar as fronteiras para outros supostos grupos “perigosos” ou infringir seus direitos humanos de outras maneiras.

Muçulmanos são o nosso povo. Eles são seres humanos com filho, necessidades e sonhos como o resto de nós. Nem todos os muçulmanos são terroristas e, falando nisso, nem todos os terroristas são muçulmanos.

Latinos são o nosso povo. Eles não vem “roubar empregos” – ele vem procurar uma oportunidade de construir uma vida melhor para si mesmos e para seus filhos, o que é algo que os Estados Unidos sempre tiveram orgulho de representar: oportunidades. Eles são uma enorme parte da força de trabalho que contribuiu para fazer da América o grande país que ela é hoje.

Afro-americanos são o nosso povo. Depois de enfrentar séculos de opressão e outras incontáveis atrocidades que foram cometidas contra eles, depois de lutar por direitos civis, é devastador que a discriminação racial ainda exista e que suas liberdades civis estejam sendo ameaçadas.

Eu poderia continuar listando esses grupos até o infinito, mas o ponto é que nós não devemos excluir grupos ou diferenciá-los por raça, classe ou religião, porque, de acordo com a Constitução, tudo isso é irrelevante quando se trata dos direitos deles como cidadãos. Qualquer um que vá aos Estados Unidos e escolha erguer sua bandeira e defender seus princípios é “o nosso povo”.

Graças às redes sociais, todos temos uma plataforma para usar nossas vozes, hoje em dia. Para cada postagem que vejo com discurso de ódio, vejo outras que animam meu espírito e me garantem que não saímos totalmente do rumo. Advogados em aeroportos oferecendo atendimento gratuito aos refugiados, nova-iorquinos se juntando no metrô para apagar vandalismo neo-nazista, médicos se voluntariando para atender mulheres necessitadas gratuitamente, e ativistas civis marchando por direitos iguais para todos. Vamos continuar pesando essa balança em direção à “liberdade e justiça para todos”, continuar usando nossas vozes para animar um a outro e falar por aqueles cujas vozes foram silenciadas. Aplaudo todos vocês que levantaram a voz contra o banimento – continuem a lutar e nunca desistam. #resistir
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